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Poucos anos após a morte de Albert Einstein,
sua sobrinha e herdeira declarou que seu tio mantinha, como livro de cabeceira, A Doutrina
Secreta, de Helena Petrovna Blavatsky.
A notícia causou estupor. Então o gênio máximo da ciência exata moderna elegera para
sua perene companhia literária o livro de uma mística que, meio século antes, fora
duramente denunciada como impostora pela Sociedade de Pesquisa Psíquica de Londres?
Assim era. Muito poucos se deram ao trabalho de lembrar que Einstein, como todos os homens
demente emancipada vida Galileu, Giordano Bruno e tantos outros não se
deixa constranger pelos preconceitos das ortodoxias vigentes, fossem elas científicas,
filosóficas, religiosas ou artísticas. Ele intuiu e compreendeu, em A Doutrina Secreta,
um conhecimento que transcendia todas as limitações da ciência acadêmica. Um
conhecimento que poderia significar a própria revolução da ciência, já então
chegando a um perigoso ponto crítico. A partir da leitura atenta dessa obra, não se pode
sequer excluir a forte possibilidade de que dela foram extraídos muitos dos conceitos
fundamentais da relatividade, conceitos que o gênio de Einstin, em seguida, desenvolveu
em termos físico-matemáticos.
Além de Einstein muitos foram os grandes homens de nossa época que beberam da mesma
fonte. Para citar alguns: Thomas Edison, Aldous Huxley, Oppenheimer, Nehru, Gndhi, Jung,
Mondrian, Scriabin, Yeats, Bernard Shaw. O que, em A Doutrina Secreta, teria atraído e
influenciado uma massa tão grande de leitores célebres?
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A autora, no prefácio à primeira edição, apresenta o livro como "a história do ocultismo, segundo o conteúdo das vidas dos Grandes Adeptos da Raça Ária, e da influência da filosofia oculta na diração da Vida, tal como é e deve ser". A obra seria, assim, uma compilação dos fragmentos fundamentais das doutrinas secretas das filosofias e religiões asiáticas e primitivas européias. Tais fragmento teriam chegado até nossa época ocultos sob a forma de hieróglifos e símbolos. É justamente o significado de tais hieróglifos e símbolos que Blavatsky procura comunicar. Mas tal tarefa, segundo seu depoimento, só lhe foi possível graças aos conhecimentos que adquiriu após longos anos de preparação junto a sábios qualificados, em vários lugares do mundo. |
A Doutrina Secreta é-nos apresentada como
uma "síntese de ciência, filosofia e religião". Seu monumental conteúdo
refletiria todo o conhecimento integrado de um período histórico oficialmente
desconhecido, anterior ao nosso. "Um conhecimento universal", patrimônio de uma
era em que a humanidade não estaria fragmentada, como agora, numa miríade de raças,
povos, culturas, civilizações. Depois, teve início o período de decadência, da perda
de contato com as fontes originais, que se arrasta até hoje. De qualquer forma, esse
conhecimento universal nunca se perdeu inteiramente, sendo perenemente conservado por uma
sucessão de homens superiores, de "iniciados". Estes, de tempos em tempos,
destilariam sua sabedoria entre os homens, mantendo sempre a sua essência, mas mudando a
sua forma.
A publicação, no final do século passado, de A Doutrina Secreta
constituiria, assim, mais uma tentativa dos grandes mestres "ocultistas"
de passar para o homem comum aspectos da sabedoria esotérica geralmente reservados aos
indivíduos que passam por um processo real de iniciação.
A Doutrina Secreta define-se por seu próprio título e, no dizer da autora, "não
expõe a Doutrina Secreta em sua totalidade, senão um número selecionado de gragmentos
de seus princípios fundamentais". Por monumental que se nos afigure, essa obra
"apenas levanta uma ponta do véu da Sabedoria das Idades", na expressão de um
dos grandes mestres de Blavatsky. Essa obra mostra, em sua, que:
1°) pode-se alcançar uma percepção das verdades universais através da comparação
das cosmogêneses dos antigos;
2°) levanta o véu da alegoria e do simbolismo para revelar a beleza da Verdade;
3°) apresenta ao intelecto desejoso, à intuição e à percepção espiritual, os
"segredos" científicos do universo para a compreensão dos mesmos, e que só
serão segredos enquanto não forem comprovados.
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A Doutrina
Secreta foi escrita a longas e duras provas e sacrifícios, e teria perecido se não
houvesse contado, providencialmente, e no dizer da autora, com uma interferência
superior. Achando-se em Otende, prosseguindo seu trabalho, Blavatsky caiu gravemente
enferma, com perigo de vida, tanto que "ela creu haver seu mestre lhe permitido, por
fim, ser livre". Mas eis que inesperadamente ela se curou de forma
"milagrosa", uma vez mais. Depois explicou: "O mestre esteve aqui e me deu
a escolher entre morrer e ficar livre ou continuar existindo para terminar A Doutrina
Secreta... Quando eu pensei naqueles estudantes aos quais se me permitia ensinar umas
poucas coisas e na Sociedade Teosófica em geral, à qual eu havida dado já o sangue de
meu coração, aceitei o sacrifício." |
Constance
Wachtmeister reproduz uma explicação de HPB:
- Veja bem, o que eu faço é isto: o que faço, só posso
descrever como uma espécie de vácuo que se delineia no ar diante de mim. Fixo meu olhar
e minha vontade nesse vácuo, e logo em seguida cenas, uma depois da outra, começam a
desfilar diante de meus olhos, como quadros sucessivos de um diorama. Se preciso de alguma
referência ou informação de algum livro, concentro minha mente no objetivo e a
contraparte astral do livro surge diante de mim e dela retiro o que preciso. Quando mais
livre estiver minha mente de distrações e mortificações, mais energia e concentração
possuirá e mais facilmente poderei funcionar.
É claro que, de maneria científica, não se pode comprovar a veracidade dessa afirmação de Madame Blavatsky. Mas é também verdade que nenhuma ciência conhecida pelo homem comum poderá explicar as centenas e mesmo milhares de citações bibliográficas perfeitamente coerentes e corretas contidas em A Doutrina Secreta. A obra, em seus seis volumes, está repleta dessas citações, tiradas de obras de autores célebres ou quase desconhecidos. Blavatsky encarregava seus auxiliares de verificar minuciosamente dosas essas informações (inclusive data da edição e página da obra em questão). Muitos desses livrso existam apenas nas vastas bibliotecas do Museu Britânico ou do Vaticano e lá tiveram de ser buscados para a devida verificação. Foram feitos cálculos estatísticos que demonstraram que, se Blavatsky tivesse lido todas as obras que ela mesma cita, isso não teria sido possível nem que ela tivesse a isso dedicado todo o tempo de sua vida!
Bibliografia:
-- Material compilado da "Revista
Planeta", número 91 de abril/1980.
Pág. 17 à 19.