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"Com a morte, o espírito - que é eterno - afasta-se com o seu corpo fluídico."
"Se não fosse a ação da Força sobre a Matéria, ela se desintegraria."
"É morrendo que se vive para a vida eterna." O vocábulo "morte" é uma impropriedade - um erro - admitido em todas as línguas, que tem como significado a cessação da vida. A humanidade foi hipnotizada pela idéia da morte. O uso comum da palavra reflete a ilusão. Ouvimos muitos falando dos mortos com as seguintes expressões: "...a ceifeira medonha cortou seus dias...", "...a morte derrubou-o em sua primavera...", "...as suas atividades terminaram...", "...findou-se uma vida ativa...", etc. Nestas locuções exprime-se a idéia de que um indivíduo foi tirado da existência e reduzido a nada.Entenderam certas religiões que constituiria ato
piedoso dar culto aos mortos em um dia do ano, e escolheram, para esse fim, o dia
2 de novembro.
Mas o espírito, que é eterno, não morre nunca, e o individuo é um ser
espiritual. Quem morre, se assim se puder dizer, é o corpo físico, que é
material e composto de elementos químicos do próprio planeta.
O Corpo Físico é, apenas uma roupagem provisória do espírito, que lhe serve
durante a sua permanência na Terra, no lapso que decorre entre o berço e o túmulo. Essa
permanência é um estágio relativamente efêmero, reproduzido numerosas vezes, e cada
vez que encarna recebe o ser espiritual, ou seja o espírito, uma nova roupagem, o que
quer dizer, um novo Corpo Físico.
Esses diferentes corpos físicos não se assemelham, por serem constituídos pela matéria
fornecida pelos respectivos pais, que são outros ou diferentes, em cada estágio ou
encarnação.
O espírito, depois de cada encarnação, ou no fim dela, desprende-se do corpo material,
definitivamente, não tendo mais com ele nenhum contato, tanto mais que tal vestimenta
não conserva a sua forma física, como todos sabem, pois a desintegração molecular se
opera com relativa rapidez, voltando aquele corpo ao pó da terra.
Diante desse quadro verdadeiro, somente a ignorância faz com que se
renda homenagem à poeira, ao que não existe mais na sua configuração, ao que deve ser
esquecido, pelo natural fim que teve, em obediência às leis naturais da transformação.
Muitos há que também cultuam a indumentária do corpo extinto, como preito de saudade a
ele devotado, e guardam-na como relíquia, fato que somente serve para explorar um
sentimentalismo doentio e sofredor.
Estas emoções medrosas não existem para os que adquiriram a consciência da ilusão da
morte. Embora sintam o pesar natural de uma separação temporária da perda de um
companheiro ou companheira, sabem que o ente amado apenas passou a uma outra fase da vida
e que não se perdeu, nada pereceu.
O corpo físico, quando ainda alimentado pela vida que lhe é transmitida pelo espírito,
está ligado ao corpo fluídico por cordões igualmente flu ídicos.
Afastando-se o espírito do corpo físico, inicia-se o processo de desintegração da
matéria, e, por decomposição, as moléculas começam a separar-se, para formar outros
corpos.
O espírito, logo que se desprende do corpo inerte, sem vida, não deseja mais ficar junto
dele, porque se sente mal com a exalação do mau cheiro do cadáver, já que os
espíritos tem o poder olfativo bem mais apurado do que o dos encarnados. O corpo físico
em decomposição, é matéria tão repulsiva para o espírito, como o é para as pessoas
na Terra.
Não é, pois, junto dessa matéria apodrecida e repugnante que há de querer-se a
presença dos seres amados, com o fim impróprio de demonstrar-lhes que os amamos.
Pode dar-se o caso de haver reencarnado na mesma família um espírito desencarnado alguns
anos antes, e os parentes religiosos irem em romaria ao cemitério para prantea-lo lá,
quando já se encontra novamente com outra roupagem, no mesmo núcleo familiar.
A ignorância da Verdade faz com que o ser humano represente papéis tão incongruentes
como esse, na marcha pela vida terrena. Os espíritos libertos do seu corpo físico partem
para o seu mundo de luz, se viveram na Terra esclarecidamente; se, ao contrário, se
conduziram criminosa e materialmente, ficam no astral inferior, onde nada poderão
fazer por ninguém, e atraí-los para o cemitério é um erro, já que se encontram em
más condições psíquicas e ali reforçarão as correntes da dor, da angústia e do
desespero, sem qualquer proveito.
A romaria ao cemitério, a 2 de novembro, é uma prática ditada por aqueles que nada
sabem da vida no campo astral, pois, do contrário, não cometeriam a
imprudência e o desacerto de aconselhar medida condenável e prejudicial, a um só tempo,
ao físico e ao espírito do romeiro.
Os miasmas da putrefação e os micróbios das moléstias que ocasionaram a morte e o
sepultamento do corpo, estão presentes na terra e no ar circundante, razão pela qual se
recomendam irradiações higienizadoras, após haver-se tomado pane num enterro.
Melhor seria que, em lugar de cemitérios, existissem fornos crematórios, onde os corpos
fossem cremados ou incinerados, evitando-se, com isso, os inconvenientes da putrefação.
O que acontece com o ser humano, é pouco familiarizado com os preceitos espiritualistas,
é que ele só admite a existência da pessoa configurada na carne, e, fora disso, nada
mais.
Para esses, o individuo é aquilo que a sua forma física revela, por serem incapazes de
dissociar o espírito do corpo físico, tanto assim que os evangélicos aguardam a
ressurreição dos corpos mortos, mesmo que transformados em pó.
A vida material encerra, na realidade, um forte poder de ilusão. A energia vital
que o espírito transmite ao corpo físico faz com que se tenha a impressão de que este
seja realmente a própria criatura. Nessa imagem é que se aloja a ilusão que inspira a
romaria aos cemitérios. Os romeiros do dia de finados são seres embalados pelos sonhos
da ilusão.
O ser humano, na sua primeira fase evolutiva, passa por esse crivo das ilusões, e só
pode libertar-se, definitivamente, do engodo, quando estiver apto a seguir, na sua marcha
ascendente, pelo caminho da espiritualidade. Antes disso, qualquer explicação mais
avançada parece-lhe absurda, e prefere ficar com as suas ilusões.
Também ocorre que no estado primário da evolução, o individuo é, geralmente,
pretensioso e pensa que sabe muito, não sendo de boa prática, por isso, levar-se o
conhecimento real das coisas, abertamente, aos que não estão preparados para recebê-lo,
para evitar situações desconcertantes.
Assim, os romeiros do dia de finados, na sua
maioria, obedecem apreceitos religiosos, imbuidos de idéias fantasiosas, e pensam estar
praticando uma suposto caridade revendo túmulos evocativos, por se acharem convencidos de
tratar-se de um ato piedoso, e de que é com piedade que se conquistam as "graças
divinas". Não merecem censura por isso, porquanto, na sua esfera de ação,
agem com os recursos de que dispõem e ninguém pode dar mais do que possui.
Não há, portanto, aqui nenhum propósito de se fazerem recriminações, apenas se
esboçando comentários sobre o fato, objeto deste estudo, à luz da espiritualidade, a
fim de situar o problema nesse campo, para que possa servir de base a conclusões
proveitosas. Há muitos estudiosos das questões espirituais que gostam de meditar sobre
assuntos desta natureza, e é para esses, principalmente, que se voltam estas linhas.
Não há a menor prova de desamor, de desconsideração, de frieza sentimental, em não se
procurar o cemitério, para ali se invocarem, por pensamentos, os seres amados, situados
em plano astral, porquanto, para testemunhar-lhes perene afeição e amizade, não deverá
haver nem lugar nem dia marcados, uma vez que todos os instantes são oportunos, desde que
se possa utilizà-los, em refúgio interno, para tal fim.
A necessidade de haver um anteparo opaco entre a vida terrena e a astral, com
interrupção dos contatos, é para que os familiares tudo façam no sentido de evitar as
desencarnações dos seres afins.
Uma vez, porém, que se saiba que o espírito, em seu mundo, está cercado de amizades,
pleno de saúde, entregue a atividades prazerosas, livre de preocupações, em condições
de vida muito superiores, por que, egoisticamente, desejar que abandone esse bem-estar,
para, num fétido cemitério, vir ouvir lamentações enfermiças e receber vibrações
penalizantes de angústia e de sofrimento?
O espírito, no Plano Astral, não sente a separação, porque, para ele, ela não existe.
Lá, dispõe da clarividência que lhe possibilita, quando quiser, ver o que se passa em
qualquer ponto do planeta, e possui outros recursos, como, por exemplo, o da volição.
Não há, assim, motivos para preocupação quanto aqueles que panem para os seus mundos,
porque assim como aqui existem uniões que equilibram a vida de relação, também no
Espaço Superior o espírito se associa aos demais com quem vai conviver, numa perfeita
comunhão de idéias e de entendimento.
Os que vão no dia 2 de novembro ao cemitério não levam o sentido de irradiar
pensamentos de fortaleza espiritual, porque os que podem emitir tais vibrações são
esclarecidos, e não perdem tempo com isso; os que vão, além de darem provas de
ignorância, só podem irradiar pensamentos de fraqueza, como são os de lamentação e de
abatimento moral, e ficam, deste modo, envoltos nas correntes da mesma espécie, ali
concentradas, de efeitos deletérios.
A,vida, que é eterna, se desdobra sempre apoiada em leis, a que todos têm de
submeter-se, se não se quiserem prejudicar. Ela é uma realidade que se revela mais
intensa no plano Astral Superior, onde não existem animosidades, porque o amor cristão
é ali o poder predominante.
Nestas condições, quem é trasladado, normalmente, para o plano espiritual, é recebido,
naquele lado, pelos membros numerosos da família astral, que o acolhem com
simpatia e lhe propiciam tudo aquilo de que precisa, independentemente dos pedidos dos que
ficaram na Terra.
A organização universal é modelar, e os dirigentes astrais cuidam de suas funções com
muito maior rigor e eficiência, do que os que aqui governam.
Por isso, não existem, nos mundos próprios, seres abandonados que necessitem da
interveniência dos que, aqui na Terra mal podem dar conta dos seus penosos deveres.
"Mesmo o conhecimento
meramente intelectual das condições da vida astral e, afinal, das verdades teosóficas
em geral, é de inestimável valor para um homem, em sua vida após a morte."
Arthur E. Powell
Bibliografia pesquisada para a construção desta página:
-- A Morte Não Interrompe a Vida, de Luiz de Souza - publicado pelo "Centro Redentor".
-- A Vida Depois da Morte, de Yogue Ramacharaca - Editora Pensamento
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