A Morte Não Interrompe a Vida

A Morte Não Interrompe a Vida

"Com a morte, o espírito - que é eterno - afasta-se com o seu corpo fluídico."

"Se não fosse a ação da Força sobre a Matéria, ela se desintegraria."

"É morrendo que se vive para a vida eterna."

 O vocábulo "morte" é uma impropriedade - um erro - admitido em todas as línguas, que tem como significado a cessação da vida. A humanidade foi hipnotizada pela idéia da morte. O uso comum da palavra reflete a ilusão. Ouvimos muitos falando dos mortos com as seguintes expressões: "...a ceifeira medonha cortou seus dias...", "...a morte derrubou-o em sua primavera...", "...as suas atividades terminaram...", "...findou-se uma vida ativa...", etc. Nestas locuções exprime-se a idéia de que um indivíduo foi  tirado da existência e reduzido a nada.
Se considerarmos, porém, que nada morre no Universo, por ser a vida real eterna e não temporária – e a vida real é a partícula da Força ou Inteligência Universal que, quando em acionamento do corpo humano, denominamos espírito – essa cessação nunca se deu, nem jamais se dará.

A morte não interrompe a vida. Aquilo a que chamamos morte, não passa de um acontecimento comum na rotina da Vida Eterna. O indivíduo depois da morte, continua a ser o que era, com mais alguma evolução, se algo fez em favor dessa conquista.
Portanto, devemos aproveitar a encarnação ao máximo, pois quanto maior for o aproveitamente na Terra, menor será o número de encarnações a realizar e, consequentemente, menor também o número de mortes a suportar.
A morte marca o término de uma jornada para dar início a outra, mas nunca o fim do que é imortal – a vida.
O espírito perde, ao encarnar a noção das existências pretéritas, não guardando delas nenhuma recordação. Quando o espírito volta ao seu mundo de luz, recupera na máxima amplitude, a visão espiritual, não escapando nenhum fato, intenção ou pensamento de sua vida terrestre, nada absolutamente nada, do que tenha feito.
As lições e experiências de uma encarnação, passam a integrar na memória espiritual, somando-se as das encarnações anteriores e alguma evolução é alcançada.
O motivo pelo qual o espírito esquece ao encarnar, todo o seu passado, pende-se a razões de ordem superior, nesse esquecimento, temos a vantagem do indivíduo não continuar dominado pelo remorso das más ações, inclusive crimes praticados nas encarnações anteriores.
Quando o espírito não permanece na atmosfera da Terra, perturbado por fluidos materializados, entre uma e outra encarnação, estagia no Espaço, em seu mundo astral, onde prepara ou projet
a a encarnação seguinte, que nunca é feita ao acaso, mas sempre previamente planejada.

Desencarnação, Fenômeno Natural

A desencarnação é um fenômeno natural na vida dos seres humanos. Ela significa o oposto à encarnação. O espírito encarna na ocasião em que se apossa do corpo, à natalidade, e desencarna no exato momento em que abandona definitivamente esse corpo.
Quando isso acontece, o espírito faz com que se desprendam os laços fluidicos que transmitiam a vida ao corpo físico, e dele se afasta com o seu
Corpo Astral.
Uma vez abandonado pelo espírito, o corpo físico nada mais é que um composto de matéria. A sua fonte de vida já não existe. Cessada esta, pelo afastamento do espírito, cai no domínio das leis químicas, desintegra-se, e suas moléculas passam a compor outras formas de vida e a constituir outros organismos.
É natural o sentimento dos que ficam, diante da ausência dos que partem. O sentimento, sim, o desespero,
não. A saudade é compreensível e se admite. A mortificação, jamais.
Por não perder de vista os seus amigos encarnados, o espírito desencarnado não sente, como estes, a separação. Ele não pode, é verdade, conversar, como o fazia antes. Dispõe, entretando, do sentido telepático, por meio do qual é capaz de transmitir pensamentos ao espírito dos seres encarnados que os recebem como se fossem os seus próprios pensamentos.

O dia de Finados

Entenderam certas religiões que constituiria ato piedoso dar culto aos mortos em um dia do ano, e escolheram, para esse fim, o dia 2 de novembro.
Mas o espírito, que é eterno, não morre nunca, e o individuo é um ser espiritual. Quem morre, se assim se puder dizer, é o corpo físico, que é material e composto de elementos químicos do próprio planeta.
O Corpo Físico é, apenas uma roupagem provisória do espírito, que lhe serve durante a sua permanência na Terra, no lapso que decorre entre o berço e o túmulo. Essa permanência é um estágio relativamente efêmero, reproduzido numerosas vezes, e cada vez que encarna recebe o ser espiritual, ou seja o espírito, uma nova roupagem, o que quer dizer, um novo Corpo Físico.
Esses diferentes corpos físicos não se assemelham, por serem constituídos pela matéria fornecida pelos respectivos pais, que são outros ou diferentes, em cada estágio ou encarnação.
O espírito, depois de cada encarnação, ou no fim dela, desprende-se do corpo material, definitivamente, não tendo mais com ele nenhum contato, tanto mais que tal vestimenta não conserva a sua forma física, como todos sabem, pois a desintegração molecular se opera com relativa rapidez, voltando aquele corpo ao pó da terra.
Diante desse quadro verdadeiro, somente a ignorância faz com que se renda homenagem à poeira, ao que não existe mais na sua configuração, ao que deve ser esquecido, pelo natural fim que teve, em obediência às leis naturais da transformação.
Muitos há que também cultuam a indumentária do corpo extinto, como preito de saudade a ele devotado, e guardam-na como relíquia, fato que somente serve para explorar um sentimentalismo doentio e sofredor.
Estas emoções medrosas não existem para os que adquiriram a consciência da ilusão da morte. Embora sintam o pesar natural de uma separação temporária da perda de um companheiro ou companheira, sabem que o ente amado apenas passou a uma outra fase da vida e que não se perdeu, nada pereceu.
O corpo físico, quando ainda alimentado pela vida que lhe é transmitida pelo espírito, está ligado ao corpo fluídico por cordões igualmente flu ídicos.
Afastando-se o espírito do corpo físico, inicia-se o processo de desintegração da matéria, e, por decomposição, as moléculas começam a separar-se, para formar outros corpos.
O espírito, logo que se desprende do corpo inerte, sem vida, não deseja mais ficar junto dele, porque se sente mal com a exalação do mau cheiro do cadáver, já que os espíritos tem o poder olfativo bem mais apurado do que o dos encarnados. O corpo físico em decomposição, é matéria tão repulsiva para o espírito, como o é para as pessoas na Terra.
Não é, pois, junto dessa matéria apodrecida e repugnante que há de querer-se a presença dos seres amados, com o fim impróprio de demonstrar-lhes que os amamos.
Pode dar-se o caso de haver reencarnado na mesma família um espírito desencarnado alguns anos antes, e os parentes religiosos irem em romaria ao cemitério para prantea-lo lá, quando já se encontra novamente com outra roupagem, no mesmo núcleo familiar.
A ignorância da Verdade faz com que o ser humano represente papéis tão incongruentes como esse, na marcha pela vida terrena. Os espíritos libertos do seu corpo físico partem para o seu mundo de luz, se viveram na Terra esclarecidamente; se, ao contrário, se conduziram criminosa e materialmente, ficam no astral inferior, onde nada poderão fazer por ninguém, e atraí-los para o cemitério é um erro, já que se encontram em más condições psíquicas e ali reforçarão as correntes da dor, da angústia e do desespero, sem qualquer proveito.
A romaria ao cemitério, a 2 de novembro, é uma prática ditada por aqueles que nada sabem da vida no campo astral, pois, do contrário, não cometeriam a imprudência e o desacerto de aconselhar medida condenável e prejudicial, a um só tempo, ao físico e ao espírito do romeiro.
Os miasmas da putrefação e os micróbios das moléstias que ocasionaram a morte e o sepultamento do corpo, estão presentes na terra e no ar circundante, razão pela qual se recomendam irradiações higienizadoras, após haver-se tomado pane num enterro.
Melhor seria que, em lugar de cemitérios, existissem fornos crematórios, onde os corpos fossem cremados ou incinerados, evitando-se, com isso, os inconvenientes da putrefação.
O que acontece com o ser humano, é pouco familiarizado com os preceitos espiritualistas, é que ele só admite a existência da pessoa configurada na carne, e, fora disso, nada mais.
Para esses, o individuo é aquilo que a sua forma física revela, por serem incapazes de dissociar o espírito do corpo físico, tanto assim que os evangélicos aguardam a ressurreição dos corpos mortos, mesmo que transformados em pó.
A vida material encerra, na realidade, um forte poder de ilusão. A energia vital que o espírito transmite ao corpo físico faz com que se tenha a impressão de que este seja realmente a própria criatura. Nessa imagem é que se aloja a ilusão que inspira a romaria aos cemitérios. Os romeiros do dia de finados são seres embalados pelos sonhos da ilusão.
O ser humano, na sua primeira fase evolutiva, passa por esse crivo das ilusões, e só pode libertar-se, definitivamente, do engodo, quando estiver apto a seguir, na sua marcha ascendente, pelo caminho da espiritualidade. Antes disso, qualquer explicação mais avançada parece-lhe absurda, e prefere ficar com as suas ilusões.


Também ocorre que no estado primário da evolução, o individuo é, geralmente, pretensioso e pensa que sabe muito, não sendo de boa prática, por isso, levar-se o conhecimento real das coisas, abertamente, aos que não estão preparados para recebê-lo, para evitar situações desconcertantes.

Assim, os romeiros do dia de finados, na sua maioria, obedecem apreceitos religiosos, imbuidos de idéias fantasiosas, e pensam estar praticando uma suposto caridade revendo túmulos evocativos, por se acharem convencidos de tratar-se de um ato piedoso, e de que é com piedade que se conquistam as "graças divinas". Não merecem censura por isso, porquanto, na sua esfera de ação, agem com os recursos de que dispõem e ninguém pode dar mais do que possui.
Não há, portanto, aqui nenhum propósito de se fazerem recriminações, apenas se esboçando comentários sobre o fato, objeto deste estudo, à luz da espiritualidade, a fim de situar o problema nesse campo, para que possa servir de base a conclusões proveitosas. Há muitos estudiosos das questões espirituais que gostam de meditar sobre assuntos desta natureza, e é para esses, principalmente, que se voltam estas linhas.
Não há a menor prova de desamor, de desconsideração, de frieza sentimental, em não se procurar o cemitério, para ali se invocarem, por pensamentos, os seres amados, situados em plano astral, porquanto, para testemunhar-lhes perene afeição e amizade, não deverá haver nem lugar nem dia marcados, uma vez que todos os instantes são oportunos, desde que se possa utilizà-los, em refúgio interno, para tal fim.
A necessidade de haver um anteparo opaco entre a vida terrena e a astral, com interrupção dos contatos, é para que os familiares tudo façam no sentido de evitar as desencarnações dos seres afins.
Uma vez, porém, que se saiba que o espírito, em seu mundo, está cercado de amizades, pleno de saúde, entregue a atividades prazerosas, livre de preocupações, em condições de vida muito superiores, por que, egoisticamente, desejar que abandone esse bem-estar, para, num fétido cemitério, vir ouvir lamentações enfermiças e receber vibrações penalizantes de angústia e de sofrimento?
O espírito, no Plano Astral, não sente a separação, porque, para ele, ela não existe. Lá, dispõe da clarividência que lhe possibilita, quando quiser, ver o que se passa em qualquer ponto do planeta, e possui outros recursos, como, por exemplo, o da volição.
Não há, assim, motivos para preocupação quanto aqueles que panem para os seus mundos, porque assim como aqui existem uniões que equilibram a vida de relação, também no Espaço Superior o espírito se associa aos demais com quem vai conviver, numa perfeita comunhão de idéias e de entendimento.
Os que vão no dia 2 de novembro ao cemitério não levam o sentido de irradiar pensamentos de fortaleza espiritual, porque os que podem emitir tais vibrações são esclarecidos, e não perdem tempo com isso; os que vão, além de darem provas de ignorância, só podem irradiar pensamentos de fraqueza, como são os de lamentação e de abatimento moral, e ficam, deste modo, envoltos nas correntes da mesma espécie, ali concentradas, de efeitos deletérios.
A,vida, que é eterna, se desdobra sempre apoiada em leis, a que todos têm de submeter-se, se não se quiserem prejudicar. Ela é uma realidade que se revela mais intensa no plano Astral Superior, onde não existem animosidades, porque o amor cristão é ali o poder predominante.
Nestas condições, quem é trasladado, normalmente, para o plano espiritual, é recebido, naquele lado, pelos membros numerosos da família astral, que o acolhem com simpatia e lhe propiciam tudo aquilo de que precisa, independentemente dos pedidos dos que ficaram na Terra.
A organização universal é modelar, e os dirigentes astrais cuidam de suas funções com muito maior rigor e eficiência, do que os que aqui governam.
Por isso, não existem, nos mundos próprios, seres abandonados que necessitem da interveniência dos que, aqui na Terra mal podem dar conta dos seus penosos deveres.

Conceitos de Evolução

O indivíduo é constituído de uma partícula indivisível, indestrutível e eterna da Inteligência Universal.
Essa partícula inicia o processo evolutivo num estado de involução absoluta, fazendo estágio, por milhões e milhões de anos, nos reinos mais atrasados da natureza, até atingir o animal, começa a sua escala evolutiva através dos seres mais atrasados e insignificante estagiando em cada espécie animal, por muito e muito tempo, ante de ascender a outra espécie superior, e depois de milhões de séculos chega ao homem.
Em forma humana, a individualidade encarnada revela perfeita identidade com a Inteligência Universal ainda que de evolução incipiente.
A idéia da imortalidade da alma começa a tomar corpo, em contraposição à da morte, pois sendo o o Criador imortal, imortais tem de ser, forçosamente, as suas partículas em evolução no Universo.
Não há tal coisa que chamam morte; o que existe é somente a vida. A vida tem muitas fases e formas, e a algumas destas fases os ignorantes chamam "morte". Na realidade, nada morre, embora tudo passe por mudanças de forma e de atividade.

"Mesmo o conhecimento meramente intelectual das condições da vida astral e, afinal, das verdades teosóficas em geral, é de inestimável valor para um homem, em sua vida após a morte."
Arthur E. Powell

 

    Bibliografia pesquisada para a construção desta página:

-- A Morte Não Interrompe a Vida, de Luiz de Souza - publicado pelo "Centro Redentor".

-- A Vida Depois da Morte, de Yogue Ramacharaca - Editora Pensamento

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