Vislumbres da Sabedoria Antiga

Vislumbres da Sabedoria Antiga

        Como que num vislumbre rápido, podemos ver o que a Sabedoria Antiga diz do homem e do seu destino, da Natureza e de sua mensagem, de Deus e de Sua Obra.
Nenhuma Filosofia iguala a Teosofia em seu Idealismo, em sua esperança e em suá oni-envolvente ternura. Ao intelecto ela revela um tão grandioso panorama de atividades da vida nos mundos visíveis e invisíveis, que sua admirável beleza leva o homem, primeiro ao assombro, e em seguida, ao êxtase. Sobretudo, a Sabedoria Antiga não especula, mas fala com autoridade. "São estes os etemos fatos da Natureza", dizem os Mestres da Sabedoria, e Eles nos pedem que vivamos uma vida de idealismo, porque não há outra vida possívivel para os homens e as mulheres razoáveis que desejem
agir à luz da Verdade e não sob o império do erro. Bem pode perguntar o investigador da Teosofia, ao deparar com o seu aparente dogmatismo: Como posso saber por mim que tudo isto é verdadeiro?

O conhecimento é de muitas espécies: o que os sentidos informam, o que a mente vê, o que o coração concebe e o que a intuição sabe. Qualquer destes, ou tudos eles, são para o homem, conforme o seu temperamento, avenidas que o conduzem à Verdade. Não somos todos iguais, e o valor do mundo e de seus acontecimentos varia para cada um de nós, de acordo com o que buscamos na vida. Conforme seja a estrutura da mente e a estrutura do coração de um homem, assim será a sua visão da vida.
O que para um é uma realidade, para outro talvez seja uma ilusã; há, porém, uma prova da Verdade, que é a mesma para todos: a Verdade se impõe. Qualquer fato da Natureza, quando examinado com clareza e probidade, logo induz toda a nossa natureza a agir de acordo cum ele; sua pressão pode ser rápida ou lenta, porém tal é o efeito que produz na mefite a "coisa-que-é", que jamais aquela pode livrar-se do puder desta. Além disso, se o que a mente viu é uma visão da Verdade e não uma ilusão, a visão cresce diariamente, revelando horizontes sempre maiores. Poderão surgir dúvidas umas após outras, porém um milhão delas não pode anular uma verdade. A alma que crê estar de posse da Verdade, pode, pacientemente, prosseguir a luta, derrotando um a um os exércitos de dúvidas que surgirem.

Se são fatos da Natureza as numerosas verdades da Teosofia, com o tempo ficarão evidentes como tais a cada um. Mais cedo ou mais tarde elas entrarão na estrutura do pensamento de cada homem, se cabe a cada homem pensar fielmente em concordância com todos oi fatos. Um por um, eles serão vistos, à proporção que se desefivolvereiu as faculdades necessárias à visão deles; porém ver todos, do átomo em atividade até o Sistema Solar na realização da vontade do Logos, não está ao alcance de todos nós, em nosso atual estado de limitação. À medida que a consciência cresça e se lhe adicione faculdade apòs faculdade, mais e mais fatos passarão a ser vistos. Um a um, cada fato, que no começo não passava de crença, será observado com visão direta e se baseará numa certeza inabalável. Todos alcançarão essa visão direta, mas a plena visão só chegará quando a alma se converter em Mestre da Sabedoria.

Até que chegue esse dia, pode agir cada um de nós pelo menos à luz da visão da verdade que tiver. Se conseguirmos compreender que não são os cinco sentidos e a mente as únicas avenidas da visão, mas também o são as aspirações, a imaginação, os nossos amores e o nosso espírito de sacrifício, a Verdade derramar-se-à em nossa natureza por muitos canais que agora nos estão fechados. A vida é demasiado grande para que se possa
conhecê-la por um só instrumento de cognição, a mente, que é útil para registrar mas muito limitada para nos dar uma visão.

Não há método mais seguro para o investigador que desejar comprovar uma a uma as verdades da Teosofia, do que pôr em prática uma grande verdade que ele possa aceitar prontamente. É a verdade da Fratemidade.
Lembre-se o homem que o outro é como ele mesmo; que em ambos flui a mesma vida da Natureza; que o que é penoso para si, também o é para outro. Que ele, olhando o seu vizinho, diga : "Este é eu mesmo, num aspecto
até aqui desconhecido para mim"; que estude pacientemente essa parte misteriosa de si mesmo que existe fora de si ; que veja depois se, ao crescer em caridade e conformação, não se sente misteriosamente impelido a
descobrir, acerca do homem e de Deus, verdades que até então não havia percebido. Toda ação amorosa é a Sabedoria Divina agindo, e quem ama amorosamente, deve inevitavelmente aproximar-se da Sabedoria.

Este é o meio mais seguro de comprovação de que as verdades teosóficas são realidades e não belas criações do cérebro de algum filósofo. Quem não puder crer em todos os ensinamentos da Teosofia, ao menos ame como
ela ensina, e reconhecerá então que a palavra "Teosofia" enuncia uma maravilhosa Realidade. E quando o homem souber, por todas as fibras do seu ser, e em todos os momentos, que tudo o que ele é - o seu mais elevado
amor e sacrifício, a sua mais elevada fé é oferenda - é essa Realidade nele, e que fora dEla não tem existência, então encontrará dentro de si um instrumento de conhecimento por meio do qual ser-lhe-à possível descobrir
tudo por si mesmo. Pois a Verdade Divina está na natureza do homem; não é uma forasteira para ele, mas uma inseparável companheira de seus sonhos.

Por ser o homem um ser divino, a Sabedoria é sua herança. E não somente a Sabedoria, mas também o Poder - o poder de ousar, sofrer e vencer. Este sentimento de Vitória, que traz em si toda a alegria, é a dádiva que a Sabedoria Antiga concede a todos que a nutrem.

Por C. Jinarajadasa, 14 de maio de   1921.