A Pessoa Espiritual

O texto abaixo foi compilado do livro "A Vida nos Mundos Invisíveis", por Anthony Borgia; Ed. Pensamento.
O real autor deste texto (Monsenhor Benson) narra estes importantes fatos a partir do plano espiritual.

A Pessoa Espiritual

Como nos sentimos ao tornarmo-nos espíritos? Essa é uma questão já suscitada na mente de muita gente. Se, ao contrário, perguntássemos "como se sentem as pessoas da Terra" estaríamos inclinados a responder que a pergunta é meio tola, porque tendo sido encarnados já deveríamos saber. Mas antes de ser afastada a questão, vamos ver o que se pode dar como resposta.

Antes de mais nada consideremos o corpo físico. Ele sofre fadiga, pelo que é necessário ter descanso; sente fome e sede e deve ser provido de alimento e bebida; ele pode sofrer tormentos e dores por meio de uma grande variedade de doenças; pode perder seus membros através de acidentes ou por outras causas. Os sentidos podem tornar-se embotados pela idade ou acidentes, podem causar a perda da vista ou da audição; ou então o corpo físico pode vir ao mundo privado de algum sentido ou incapaz de falar. O cérebro físico pode ser afetado tornando-nos incapazes de ações sadias e, consequentemente, temos que, ser cuidados por outros.

Que tenebroso quadro, direis! Assim é, mas qualquer um pode ser vitima de pelo menos uma infelicidade, dessa lista de limitações que mencionei. Pelo menos três são comuns a toda alma na terra - a fome, a sede e a fadiga.

Agora eliminemos completa e inteiramente cada uma dessas incapacidades; excluamos infalivelmente e para sempre suas causas, e teremos a idéia do que significa ser uma pessoa espiritual!

Quando eu estava na terra sofri alguns dos padecimentos comuns a nós, sofrimentos que não são sérios e devemos encarar como naturais: dores pequenas que conseguimos suportar. Além dessas dores, estava cônscio de meu corpo físico pela manifestação da fome, sede e fadiga. A doença final - a mais séria – foi demais para o pobre corpo e sobreveio a minha transição. Imediatamente senti o que é ser uma criatura do espírito. Não tinha a mínima sombra de dor e sentia-me leve como se na verdade não tivesse corpo algum. Minha mente estava completamente alerta e eu me dava conta de meus membros somente quando precisava mover-me, aparentemente sem nenhuma das ações musculares que me eram até então familiares. É muito difícil explicar essa sensação de perfeita saúde, porque é uma coisa impossível na terra, e portanto não há nada com que eu possa traçar uma comparação ou formar uma analogia. Esse estado pertence ao espírito apenas, e desafia por completo qualquer descrição em termos terrestres. Deve ser experimentado, e isso é impossível até que nos encontremos aqui.

Já disse que minha mente estava alerta, mas isso não diz tudo. Descobri que minha mente era um verdadeiro depósito de fatos referentes à minha vida passada. cada ação que eu realizara e cada palavra emitida, cada impressão recebida, cada fato sobre que eu lesse, cada incidente testemunhado, tudo isso descobri estar indelevelmente registrado em meu subconsciente. E isso é comum a toda pessoa espiritual que já teve vida encarnada.

Não julguem que somos continuamente assombrados por uma louca fantasmagoria de uma miscelânea de idéias e impressões. Seria um verdadeiro pesadelo. Não. Nossas mentes são como uma biografia completa da vida terrena, onde está anotado cada pormenor referente a nós mesmos, arrumado em ordem e onde não se omite coisa alguma. O livro está fechado, mas está ali, sempre à mão, para consultarmos e meramente recordamos os incidentes, se o desejar-mos.

A descrição que vos dei dessa especial memória da alma, traz à tona outras leis, como já tentei mostrar. Não estou preparado para explicar tomo, apenas posso dizer o que acontece.

Essa memória enciclopédica de que somos dotados não é difícil de compreender quando nos detemos para considerar nossa memória média na terra. Não se é continuamente incomodado pelos incidentes de toda a nossa vida, mas eles estão simplesmente à mão para se recordar, querendo. Um incidente desencadeará uma corrente de pensamentos em que a memória participará. Às vezes não se pode solicitar o que há na memória, mas no mundo espiritual isso é imediatamente possível, sem esforço e sem falhas. O subconsciente nunca esquece e assim nosso passado se torna censura ou não, de acordo com a nossa vida terrena. As anotações sobre as placas da verdadeira mente não podem ser apagadas. Lá estão para todo o sempre, sem necessariamente nos perseguir, porque nessas anotações estão também as boas ações, os bons pensamentos e tudo de que possamos justamente nos orgulhar. E se estão escritas em caracteres maiores e mais enfeitadas do que os fatos que lamentamos, tanto melhor.

É claro que, quando estamos no mundo espiritual, nossas memórias são persistentemente retentivas. Quando fazemos um curso de estudos sobre qualquer assunto, vemos que aprendemos facilmente e rapidamente porque estamos livres das limitações que o corpo físico impõe à mente. Se estamos adquirindo conhecimentos, reteremos esses conhecimentos, sem dúvida nenhuma. Se nos estamos aperfeiçoando em algo que requer destreza manual, veremos que nossos corpos espirituais respondem aos impulsos de nossas mentes, imediata e exatamente. Aprender a pintar um quadro ou tocar algum instrumento musical, para mencionar apenas duas atividades comuns, são tarefas que levam apenas uma fração do tempo que nos tomariam quando ainda encarnados. Ao aprender a fazer um jardim espiritual ou a construir uma casa, veremos que a perícia exigida é atingida com igual facilidade e rapidez; isto é, tanto quanto nos permitir nossa inteligência. Porque não somos dotados de aguda inteligência no momento em que nos desfazemos do corpo físico. Se assim fosse, estes reinos seriam habitados por superhomens e supermulheres, e na verdade está longe disso! Mas a nossa inteligência pode ser aumentada; isso é parte do nosso progresso. A mente tem ilimitados recursos para expansão intelectual e melhoria, por mais atrasados que possamos ser quando aqui chegamos. E o nosso progresso intelectual se adiantará certa e firmemente, de acordo com o nosso desejo ou prazer de o fazer, sob a orientação de capazes mestres de todos os ramos de ciências. E ao longo de todos os estudos seremos assistidos por nossas memórias infalívelmente receptivas. Não há esquecimento.

Agora passemos ao corpo espiritual em si. Ele é, geralmente falando, a réplica do corpo terreno. Quando chegamos aqui, somos reconhecidamente nós mesmos. Mas deixamos para trás todas as nossas incapacidades físicas. Temos membros, vista e audição, e todos os outros sentidos funcionando perfeitamente. Na verdade os cinco sentidos, como os chamamos na terra, tornam-se vários graus mais agudos quando desencarnamos. Qualquer supernormal ou anormal condição do corpo físico, tal como excessiva gordura e magreza, desaparece quando chegamos a estas paragens.

Há uma fase em nossas vidas na terra que se chama a flor da idade. É nessa direção que todos nós nos encaminhamos. Aqueles que são idosos, ao passarem a espírito, voltarão a esse período. Outros que são jovens se adiantam até essa fase, e todos nós preservamos as nossas naturais características, que nunca nos abandonarão. Mas descobrimos que muitos traços menores, que podemos muito bem dispensar, são eliminados juntamente com nossos corpos físicos - certas irregularidades do corpo com que tenhamos nascido, ou que nos advieram com o correr dos anos. Quantos de nós, gostaria eu de saber, não terão alguma sugestão a fazer no sentido de melhorar nosso corpo, se fosse possível.

Já vos disse como as árvores aqui crescem em absoluta perfeição - direitas e limpas, bem-formadas porque não há tempestades ou ventos para lhes curvar os jovens galhos e deformá-los. O corpo espiritual está sujeito à mesma coisa. As tempestades da vida podem distorcer o corpo, e se essa vida foi espiritualmente feia o corpo espiritual será similarmente torcido. Mas, se a vida terrena foi sã, o corpo espiritual será correspondentemente são. Há muitas belas armas habitando um corpo terreno disforme, assim como há almas más dentro de corpos bem-formados- Mas no mundo espiritual se revela a verdade a respeito de todos.

Como é a aparência anatômica do espírito, perguntareis? É exatamente a mesma que a vossa da terra. Temos músculos, nervos, ossos, mas não são da terra, são puramente do espírito. Não sofremos indisposições - isso seria impossível aqui. Portanto nossos corpos não requerem cuidados constantes para se manterem em boa saúde. Aqui ela é sempre perfeita, porque temos um grau de vibração tão elevado que germens causadores de doenças não podem entrar. Subnutrição, no sentido em que é conhecida na terra, não existe aqui. Mas subnutrição espiritual, isto é, da alma, certamente existe.

Será estranho pensar que um corpo espiritual possua cabelos e unhas? Como queríeis que fossemos? Não seríamos repugnantes sem os traços anatômicos usuais? Isto parece uma afirmação elementar, mas é às vezes necessário dar voz ao elementar.

Como é o corpo espiritual coberto? Muita gente, para não dizer a maioria, desperta nestes reinos vestida com a cópia das vestimentas que usava na terra na época de sua transição. É razoável que isso aconteça porque tal vestimenta é costumeira, especialmente quando a pessoa não tem previsão das condições do mundo espiritual. E assim permanece até que o queira. Seus amigos lhe dirão do seu verdadeiro estado de ser, e ela poderá assim mudar a roupa, se o desejar. Muitos se alegram de o fazerem, visto que o antigo estilo usado na terra lhes parece triste e sem cor nestes risonhos reinos. Não demorei muito a pôr de lado o meu velho hábito religioso, visto que o preto é sombrio demais para esta galáxia de cores.

As vestimentas espirituais variam tanto quanto variam os reinos. Parece sempre haver alguma sutil diferença entre as roupas de um espírito e de outro, tanto na cor como na forma, de maneira que há uma variedade infinita - tanto na cor como na forma.

Todas as roupas espirituais são compridas quase até os pés. São suficientemente largas, de modo que caem em pregas graciosas e estas pregas é que oferecem os mais lindos matizes de cores e luzes. Seria impossível dar uma idéia do que são.

Vêem-se muitas pessoas usando uma faixa ou cinto à cintura, às vezes de fazenda, outras de rendas de ouro ou prata, Em qualquer dos casos, constituem recompensas por serviços prestados. São geralmente adornados com as mais belas pedras preciosas, de vários formatos, e montadas em engastes maravilhosos. Os entes superiores são vistos usando os mais magníficos diademas, tão brilhantes como os cintos. Aqueles que pertencem a graus inferiores podem usar tal adorno mas de formas menos imponentes.

Há uma grande riqueza de sabedoria espiritual atrás de cada adorno, mas um fato precisa ficar bem claro: tais enfeites precisam ser conseguidos. Os prêmios são dados apenas por mérito.

Podemos usar o que quisermos nos pés, e a maioria prefere usar algo que os proteja e geralmente é um sapato leve ou sandália. Já vi inúmeras pessoas que preferem andar descalças. Isso não provoca comentários porque é natural e comum.

O material que usamos nas roupas não é transparente como alguns julgam. É bem compacto. E a razão pela qual não é transparente é que nossa roupa possui o mesmo grau vibracional que o possuidor. Quanto mais alto progredimos maior se torna esse grau, e, consequentemente, os moradores dessas elevadas esferas adquirem uma incrível leveza no espírito e nas roupas. Essa transparência é mais visível a nós do que a eles, isto é, externamente visível, pela mesma razão que uma luz pequena parecerá mais luminosa rm virtude da escuridão reinante em volta. Quando se aumenta a luz mil vezes - como é o caso dos planos superiores - o contraste é incomensuravelmente maior.

Raramente usamos cobertura para a cabeça. Não recordo ter visto nenhuma por aqui, pois não necessitamos proteção contra os elementos.

Creio já terdes concluído a esta altura que ser uma pessoa espiritual pode ser algo bem agradável.

Em minhas andanças pelos reinas da luz ainda não encontrei um único indivíduo que quisesse trocar esta bela vida por aquela velha da terra.

Experto, crede!

Compilado por Alexei Bueno do livro "A vida nos mundos invisíveis".